quinta-feira, 29 de maio de 2014

NO OCASO DA ALMA



O céu se tinge com as cores rubras do alvorecer
Recortado pelas nuvens brancas, no horizonte distante,
Beleza tanta, que meus olhos não podem deixar de ver,
O esplendor da natureza, nem mesmo por um instante.
Embriagado por emoção tamanha
Ouvindo os pássaros entoar suas canções gostosas,
Sensação esta que não me é estranha
As notas suaves, simples, mas melodiosas.
Não sou, nem saberia ser indiferente,
A tão grandiosa expressão de sublimidade,
Que gostaria de levar nos olhos, eternamente,
O êxtase que me dá tamanha felicidade.
Para quando, no ocaso da alma,
Desfrutar desta maravilha de Deus
Deslizar suave, no regato de águas calmas,
E me juntar aos outros, companheiros meus.

2006

SAGRADA FONTE




                                   I

Se a fonte então secasse
E a poesia se fizesse ausente?
_Seria como se eu perdesse minha identidade,
Como se deixasse de ser gente...”

                                   II

Vivendo e pensando...
Pensando e escrevendo...
Escrevendo e evoluindo.
A inspiração é a sagrada fonte,
E a poesia é o elo
Que nos leva à plenitude
A verdadeira paz interior.

2006

A VIRGEM E O ESPELHO



Ela estava olhando o nada
Encantada,
Quase fascinada.
Com a imensidão
De sua própria alma.

Ela continuava imóvel
Com seu olhar fitando seus olhos
E uma expressão
De passividade,
Quase submissa.

Ela era pura, intocada,
Verdadeira imagem
Do encantamento,
Da doçura e da bondade,
Qual só os anjos podem ser.

2005

SONHOS VÃOS



Não quero falsas ilusões.
Prefiro conviver com a verdade,
Por mais amarga que ela seja.
Mas não deixo de sonhar,
Porque o sonho ninguém
Poderá me tirar
E, nem me proibir.
Mas sei que meu sonho
Será em vão,
Não poderá ser realidade.
Porque teus lábios não são para mim,
E nem meus beijos para você.

2005

VELHAS CARTAS



Velhas cartas mofadas...
Velhos sentimentos guardados...
Promessas de amor enclausuradas
Em uma caixa com cadeados.
Fantasmas de um distante passado
A rondar-me através de suas linhas,
Segredos que insisto em manterem guardados
Em coisas que são sós minhas.
Se falam de mentiras ou de verdades
Isso talvez nunca eu vá saber,
Porque em meio as minhas vaidades
Fechei os meus olhos para não ver...

2005