sexta-feira, 24 de maio de 2013

MÁSCARAS


É impossível evitar a decepção
Quando as mascaras caem.
Conhecer a real face
Do que desenhamos com tanto esmero,
Nem sempre é algo agradável.
Descobrir que convivemos
Com o que não era,
O que na verdade pensamos,
Não se trata de algo assimilável
Num primeiro momento.
Mas, pessoas são universos
Com seus mistérios esperando
Para serem desvendados
(Nem que isso nos decepcione depois)

2013

Este poema é bem recente mas que relembra de fatos pretéritos, que passaram e já foram sepultados pelas poeiras do tempo, mas, que relembrando, inspirou este pequeno poema. 

sábado, 18 de maio de 2013

NO MATE DA MADRUGADA



Quando em mim se arrancha uma saudade redomona
Que é gaviona
E entristece o meu viver.
Sorvo um amargo imaginando os beijos dela
E uma aquarela
Se deslumbra ao meu sofrer.

E a madrugada que antecede o alvorecer
Parece me ver
E silencia em reverencia.
E na quietude de um galpão enfumaçado
Vem e me faz costado
Na grandeza desta querência.

Galopo ternuras, demasias por si sós
Ao ouvir a voz
De um cusco que ao longe late.
No fogo, queimando estala um tronco
Contraponteando com o ronco
Que anuncia o final do mate.

É nessas horas tristes da madrugada
Quando toda a peonada
Se recolheu e repousa.
Que o mate é meu único amigo
E me serve de abrigo
Para a solidão que chega e pousa.

No mate da madrugada eu escondo meus medos
Também guardo os segredos
Desta vida tão bravia.
Me abrigo no sabor de um mate longo
E só largo o porongo
Quando amanhece um novo dia.

2005

Eu também me arrisco a escrever alguma coisa de cunho gauchesco, mas, sem nunca deixar para traz o lado sentimental do ser. Esta, é uma letra, que pode ser cantada e está a espera de que algum músico se interesse em fazer a melodia, já que eu não toco uma nota sequer...

MERGULHO



Antes dissesse: Não! Jamais!
Talvez,
Se despedaçasse meu sonho
Eu vivesse melhor.
Sem este verde fio de esperança
De cruzar meus olhos nos teus
E tu responder com um sorriso.
Antes dissesse: Não! Nunca!
Eu saberia entender.
Pois só não entendo este mutismo
Este olhar vazio
Evasivo,
Que foge, quando cruza com o meu.
Porque,
Quando eu te vejo
Tenho vontade de morrer.
Não morrer, de deixar de existir,
Mas morrer num mergulho
Na imensidão de teu olhar
Em busca da maciez de teus lábios.

2004

sábado, 11 de maio de 2013

ENTRE A TREVA E O ESPLENDOR




Não sou tudo isso que falam
Também não sou menos do que dizem
Nem tanto anjo, nem muito demônio
Posso ser teu amante, quero ser teu amigo
Posso ser teu inferno, mas, também teu abrigo
Tudo depende de com que olhos me olhas
De que lado me vês.
Posso ser a floresta, também posso ser o machado
Posso ser o profeta, ou o anjo caído
Posso ser teu remédio e também teu veneno
Só depende de como me queiras
De como me aceite.
Posso ser à noite, ou o amanhecer
Quero ser a estrada, posso ser tua perdição
Eu fico nas entrelinhas sem revelar minha face
Sem deixar você descobrir
Quem realmente eu sou.
Basta que você saiba
Que tenho apenas duas direções
E se quiser me revelar
Tens duas opções:
Ama-me ou ignora-me.

2005

domingo, 5 de maio de 2013

MÁRTIR



Caminho resoluto
Em meio à multidão enlouquecida
Com as minhas mãos amarradas às costas
Rumo à forca que me espera.
Como posso me importar
Em morrer
Se em ocasiões de minha vida
Matei meus sentimentos
Mais puros?

2010

sexta-feira, 3 de maio de 2013

CASTELOS DE ILUSÕES




Quando meu coração se faz calado
Eu fico só, nada é pior,
Do que meu coração sofrendo
Por algo que ele não tem
E que nunca vai ter.
Habito então meus sonhos
E construo castelos de ilusões
Para que ele possa então serenar
E viver seu grande amor
Mesmo que em um mundo
Que seja apenas imaginário,
Um mundo que eu mesmo construí
E que apenas eu (e meu coração)
Habitemos nele...

2007