sábado, 9 de novembro de 2013

FUNERAL


Parte I

Morreu a inspiração
E o poeta se calou.
Como se cala o pássaro
Que o trancaram na gaiola.
Recolheu-se em seu canto preferido
Onde lhe parecia ficar mais seguro,
Como a semente no seio da terra
A espera do momento certo para nascer.
Pela madrugada adentro
O poeta velou a inspiração inerte
Como quem espera um amigo viajando
E tem a certeza do retorno.


2005

Parte II

Foi-se a inspiração,
Escureceu minha vida
Como a terra depois que o sol se põe.
Em seus últimos lampejos
Deixou-me seu derradeiro legado
E uma esperança,
De um possível retorno
Pois o inverno não é eterno
E depois das neves
O sol da primavera faz brotar as flores.
Enterrei meu poema em cova rasa
E pus-me a esperar,
A esperar...
A esperar...
Apenas a esperar.

2005


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