Parte I
Morreu a inspiração
E o poeta se calou.
Como se cala o pássaro
Que o trancaram na gaiola.
Recolheu-se em seu canto preferido
Onde lhe parecia ficar mais
seguro,
Como a semente no seio da
terra
A espera do momento certo
para nascer.
Pela madrugada adentro
O poeta velou a inspiração
inerte
Como quem espera um amigo
viajando
E tem a certeza do retorno.
2005
Parte II
Foi-se a inspiração,
Escureceu minha vida
Como a terra depois que o sol
se põe.
Em seus últimos lampejos
Deixou-me seu derradeiro
legado
E uma esperança,
De um possível retorno
Pois o inverno não é eterno
E depois das neves
O sol da primavera faz brotar
as flores.
Enterrei meu poema em cova
rasa
E pus-me a esperar,
A esperar...
A esperar...
Apenas a esperar.
2005
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