I
Depois da longa cavalgada
Cheguei às montanhas,
E seu fascínio me envolveu
O mesmo silencio secular
Quebrado apenas pelo vento
Vento que talvez tenha ele mesmo
Balançado os cabelos de meus ancestrais.
Fiquei ali parado em comunhão
Sentindo o pulsar da natureza em
Meu espírito indômito
Como se não fosse a primeira vez
Que meus pés pisassem aquela relva...
Senti então o chamado do sangue
Do índio que um dia eu fui
Altivo e orgulhoso de mim
Antes que o branco chegasse
Para roubar o meu povo.
Senti asco de minha pele
Pertencer agora a mesma raça de meus
Assassinos...
II
E no pé da montanha sagrada
Entoei preces ao grande espírito
(Que talvez nem fosse tão grande assim)
Pois permitiu que um povo
Fosse exterminado por inteiro
Apenas por ter a pele mais escura.
Pude sentir em meu intimo
O clamor das batalhas
Cujo meus ancestrais venderam
Bem caro a derrota,
E nesse encontro comigo
Tendo como testemunha apenas
O vento, e no alto das montanhas
As águias que voavam silenciosas
Como se entendessem meu pranto
O mesmo pranto dos derrotados
Caídos no campo de batalha...
2008
Este poema escrito em duas partes, é uma especie de homenagem a todos aqueles trucidados na América do norte em nome de um progresso e do chamado desenvolvimento, palavras belas que apenas mascararam a avidez e a cobiça dos "homens civilizados".
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