Quando em mim se arrancha
uma saudade redomona
Que é gaviona
E entristece o meu viver.
Sorvo um amargo imaginando
os beijos dela
E uma aquarela
Se deslumbra ao meu sofrer.
E a madrugada que antecede o
alvorecer
Parece me ver
E silencia em reverencia.
E na quietude de um galpão
enfumaçado
Vem e me faz costado
Na grandeza desta querência.
Galopo ternuras, demasias
por si sós
Ao ouvir a voz
De um cusco que ao longe
late.
No fogo, queimando estala um
tronco
Contraponteando com o ronco
Que anuncia o final do mate.
É nessas horas tristes da
madrugada
Quando toda a peonada
Se recolheu e repousa.
Que o mate é meu único amigo
E me serve de abrigo
Para a solidão que chega e
pousa.
No mate da madrugada eu
escondo meus medos
Também guardo os segredos
Desta vida tão bravia.
Me abrigo no sabor de um
mate longo
E só largo o porongo
Quando amanhece um novo dia.
2005
Eu também me arrisco a escrever alguma coisa de cunho gauchesco, mas, sem nunca deixar para traz o lado sentimental do ser. Esta, é uma letra, que pode ser cantada e está a espera de que algum músico se interesse em fazer a melodia, já que eu não toco uma nota sequer...

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